Follow by Email

sábado, 4 de maio de 2013

Como ser unitário, nasci por um propósito, e a propósito, todos nós temos um propósito em tudo aquilo que fazemos...
Tudo o que existia no mundo era meu... tive solos, animais e insetos, flores e capins... O legal em tudo isso é que eu tinha limites, mas era ilimitado na minha conquista do mundo... meu único limite era o respeito às regras.
Regras, nunca compreendi bem o que significa esse termo, se bem que esse significativo instrumento construiu hábitos dos quais conservo até hoje... Exemplo, há palavras que não ouso pronunciar ainda hoje, aos quarenta e cinco anos de idade, pois ainda receio a imputação de alguma condenação imaginável.
Eu nasci por um propósito, do qual ainda desconheço... mas creio que perdi o sentido desse propósito quando adentrei à sociedade. Engraçado, a família é uma forma de sociedade, e ao contrário do que pensamos, existe um padrão de administração que nos impõe regras. Nela somos inseridos como indivíduos, regrados por costumes construídos pela união de dois sujeitos com realidades adversas. Essas realidades são destiladas em diálogos e condensadas, cria-se um padrão de hierarquia e um conceito de participação familiar. Cumpri muitas regras, mas nunca me atentei ao fato de que essas regras eram voltadas à proteção do baixo escalão.
Eu era livre, dono do mundo e de tudo o que existia, até que um certo dia, eu fui levado à um novo conceito de sociedade, a comunitária... Cá perdi parte da minha liberdade...
Se no conceito de comunidade familiar eu era limitado, mas dono de tudo, cá o conceito de liberdade que eu assistia era reducionista, certos conceitos da minha inocência deveriam ser trocados em favor da minha independência. Muito bacana essa visão, passei a quebrar as minhas limitações em nome de uma suposta liberdade que, mais me aprisionou. Minha independência e minha liberdade eram muito mais controladas, minha comunidade foi reduzida à pessoas e locais dos quais não eram meus, mas de uso coletivo e propriedade indefinida, até então. Minhas flores já não podiam ser minhas, pois eu era um "Homem", meus insetos e  meus animais eram nocivos e meus direitos eram conquistados. Passei a obedecer regras que, supostamente, defendiam os interesses de todos... Eu havia crescido, não mais poderia me dedicar à participação, pois minha liberdade se resumia em competência adquirida, ou seja, teria que ser eu, mais individual do que nunca, o melhor entre os melhores... Selecionou-se as minhas posses, os meus amigos, os meus sonhos, os meus desejos... É o caminho do melhor, a seleção...
Seleção natural- diz-se que, na natureza, sobrevive sempre o mais forte... Assim passou a ser regrada a minha vida, uma luta pela fortaleza, o que nunca veio. Há sempre alguém mais forte do que eu... Verdade, percebi que não há limites para essa construção. A minha liberdade nunca foi tão controlada. Já não mais podia possuir o mundo, já não mais poderia possuir as aves, as terras, as matas e as águas... O padrão de liberdade reducionista que eu aceitei me obrigava a disputar cada migalha de mundo que sobrava... Tinha eu apenas um trabalho, um dia, uma noite e um ideal...
Viver...

                                               


  

Nenhum comentário:

Postar um comentário