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domingo, 2 de junho de 2013

Deveres humanos.

Creio que o pior presente que o homem recebeu na vida foi o Direito... Calma! Já me explico. Desde a primeira vez em que foi atribuída a dádiva do direito, o homem jamais conseguiu olhar o mundo como conjunto, pois o direito indica individualidade. Para que o direito seja coletivo, o mesmo tende a ser mediado pelos deveres que representa tais direitos, ou seja, se eu tenho o direito à vida, o tenho porque “todas as demais criaturas são responsáveis pela manutenção desse meu direito”, enquanto eu, sujeito de direito, sou apenas “devedor” da manutenção dos direitos de todas as demais criaturas.
Creio que o grande caos da nossa sociedade se dê através da imposição dos meus direitos sem que exista um dever imposto a mim... Tenho deveres assistidos para com sociedade, toda a sociedade tem deveres que devem ser assistidos com relação a mim... Simples, não? Algumas práticas que relatam bem esse sentido vêm sendo discutidas já a algum tempo... Promove-se um sujeito ao “direito” de mediar os direitos das pessoas... Esse sujeito tem o direito de falar aquilo que pensa, mas é seu dever pensar a sua fala com relação aos direitos de todos os demais cidadãos. Uma vez que sua fala exerce a sua “crença” de direito, ela é “individual”, o “direito” de todos os demais cidadãos é comprometido através do não exercício do seu dever. Uma pessoa que comete um crime, subjuga o “direito” dos demais cidadãos, uma vez que “acredita” no seu direito individual. O sujeito que cobra a sua punição pode ser tão sujeito de crime quanto o acusado, uma vez que crê no exercício do seu “direito” de não ter deveres para com o sujeito que cometeu um crime. Impõe ao Estado, o dever de condenar o dito cidadão, pois “paga” pelo seu direito de não agir. O Estado, por sua vez, crê no exercício do seu direito de mediar as prioridades, crê que deve agir somente na “correção” daquilo que deveria ser “prevenido”. Assim, impõem à sociedade o dever de prevenção, pois crê não poder estar em todos os locais ao mesmo tempo.
É assim que cremos no direito, na imposição dos nossos direitos, criamos alicerces que fundamentam esses nossos direitos na concepção de que o “dever” é algo que deve ser exercido por terceiros... O dever, geralmente é punitivo à aqueles que não agem de acordo com os direitos que nós criamos para nós mesmo. O dever é do mundo, o direito é meu. Mas não o é... O direito é coletivo, declarado e não criado, não é imposto é reconhecido. Não há direito em sistemas de exploração, mesmo que mediados à sustentação. O direito é a consequência da manutenção dos deveres individuais para com o todo, é a resposta ao exercício da doação, e nesse sentido, toda é qualquer imposição de direito atribuída à mim é nula, principalmente se imposto pelas minhas vontades e crenças. Constrói-se o direito quando se exerce os deveres da cidadania, da solidariedade, da compaixão e da fraternidade. Constrói-se o direito quando cada individuo se propõem ser base e não topo, constrói-se o direito quando cada individuo se propõem à doar e não receber.
Chegamos a um ponto X, meus direitos não são compatíveis com os direitos dos demais cidadãos, meus direitos sacrificam direitos alheios e esses mesmos  direitos meus são sacrificados por direitos alheios. Não são direitos, mas crenças, vontades e vaidades que me tornaram órfão de assistência, pois não são mediados pelos deveres que eu anulei... Chegamos a um ponto X, onde a visão social deturpada corrói as estruturas pensadas para a manutenção desses “direitos” sem deveres, onde a ação social cobra direitos dos quais não tem e não pode ter direitos, onde a governança sustenta direitos que não lhes são direitos... Todo o direito que ainda temos é o de repensar os nossos direitos, as nossas vontades, as nossas vaidades, as nossas posses, pois nossos deveres nos cobram a manutenção de um direito maior, comum e indispensável ao reconhecimento do “direito” coletivo. Temos o direito à ter “direitos”, mas o dever de propiciar aos demais entes da Terra, os tais direitos que nos são direitos... São os Termos da não compreendida Declaração Universal dos DEVERES dos Homens.


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