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quarta-feira, 17 de julho de 2013

Qual é a cor que vês?

Todos nós recebemos as receitas de como melhorar as nossas vidas... Sim, recebemos... E estas receitas vem dispostas em escritas simples, recheadas de palpites e de vivências únicas. Mas, se cada vivência é única, como pode a minha receita de sucesso ajudar a ti, se foi escrita para mim?
Penso, as vezes, que acabamos por optar pela não análise da realidade. É mais fácil comprar feito à perder horas trassando projetos de construção. E assim, o que compramos nem sempre se encaixa na descrição daquilo que imaginamos, pois nós elaboramos o projeto por um ângulo único de visualização, mas não executamos, portanto, a visão da construção tem, também, um ângulo único do executor.
Um vez me perguntaram... " qual é a cor que você vê naquela flor"
Incrível a visualização humana... Via eu, a cor rósea, assim como o meu indagador... Mas qual é a provabilidade de, a cor rósea que eu vejo ser a mesma cor rósea que tu vês, sendo que, alguém me apontou a cor rósea em minha primeira visualização e me declarou... "É Rósea"
Outra vez, ouvi uma outra história... Um sujeito, acometido de cegueira na juventude, pergunta ao cego de nascimento... "Como pode suportar o negro como visão, sem que tenha a oportunidade de ver as demais cores?"
E o cego de nascimento lhe responde. " Nunca me preocupei com tal detalhe, pois para mim, não há o negro, pois nunca precisei me atentar à isso... Vejo todas as cores que a minha mente me permite, pois sedisser-me que esta folha é verde, meus olhos não a enxergará, mas minha mente construirá a mesma cor que tu conheces... A minha visão tem a cor que eu quero, pois não é mediada pela tua visão."
Nesse sentido, pergunto. Construímos mesmo as nossas vidas? Será que há algum propósito nas receitas que a sociedade nos oferece?
Já aprendi a amar, mas não sei se o amor é o que me ditaram... Amo tudo e todos, mas tenho limites à estabelecer para que eu possa dizer que amo... Se há limites, há realmente o amor? No que consiste esse sentimento inexplicável, limitado há padrões de mediação?
Descrevo, as vezes, a felicidade, como aquela reação ocorrida na percepção de que algo que fiz foi de valia para outro alguém... Verdade, a felicidade não se encontra naquilo que faço à mim, mas na reação proporcionada aos demais, proveniente da minha ação. A felicidade de um marido está no sorriso da esposa, a de um filho, no orgulho do pai, o da mãe, na vitória do filho... a felicidade está no amor, o mesmo amor que ocorre de Mãe para filho, de esposa para marido, de amigo para amigo... A felicidade pode estar no amor que dedicamos aos nossos animais de estimação, no balbuciar da sua felicidade, no visualizar de um céu azul, descrito em uma foto que postamos, ou ainda, em  um por do sol, presenciado por aquele que tiramos da clausura, no toque suave da brisa no rosto daquele que não podia abrir as janelas, no frescor das águas do mar tocando os pés de uma criança pela primeira vez... Há uma infinidade de locais e de condições aonde a felicidade pode estar, porém, a entendemos como são ditadas pelo padrão que nos foi imposto a aceitar para como e o que amar... Talvez seja esse nosso grande problema, as receitas que nos são oferecidas são limitantes do nosso amor e da nossa felicidade. Aprendemos a adotar amores de outros para que a nossa posição se solidifique como a posição do ditador, cada receita que eu descrevo tem ingredientes para a solidificação do amor que eu padronizei, e quanto mais pessoas estiverem certas de que esse amor é verdadeiro, mais sólida tenderá a ser a "minha" felicidade... O incrível é que, nunca percebi que, essa felicidade não se completa, pois tenho que estar defendendo esse padrão eternamente, pois é um instrumento de construção particular meu, da minha vida única, o que provavelmente, não caberá à tua vivência, pois tua visão é única, pois o róseo que eu te proponho pode ter tonalidade negra em sua visão.
As cores do mundo são reflexos da irradiação da luz, a quantidade de luz que percebemos será a mediadora da nossa visão. Quando eu me proponho estar em determinado lugar e visualizar a tua imagem, estou sujeito à um único padrão de iluminação, o poderá fazer com que as cores que vejo sejam apenas opacas ou ofuscadas. Quem me dita o padrão, pode estar em uma melhor condição de luz, pois também, sua posição é única, e só se sentirá feliz se, doar o seu local de visualização para que eu possa, também olhar através de um ângulo diferente, o que o fará menos contemplado, mas provavelmente, mais feliz... Pois eu proporcionei que o mesmo pudesse tirar a sua própria conclusão da minha visão, e assim, reconhecer a minha realidade única. Ambos encontramos a felicidade na contemplação de visualizações diferentes e percebemos reações diferentes de percepção... Libertar essa pessoa do meu padrão e propor-lhe um novo padrão de visão pode ser muito mais gratificante do estar impondo ou atendendo a um padrão único, pois o róseo de um  pode ser bem mais vivo que o padrão ditado, a diferença pode ser a Luz...


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